Entrevista com os fãs

Obrigado a todos que nos enviaram perguntas ao dyluvian@live.com. Obrigado pelo apoio de todos. Seguem as respostas! Mais noticias em breve!

1)     O que ocorreu para a dissolução da banda meses após o lançamento de “The Fall of the House of Usher” e o que motivou esse retorno para o lançamento de A great time from here?

Sergio:
A fase final da banda coincidiu com uma época em que a necessidade de ganhos financeiros de cada membro começava a aumentar, afinal em 2003 já não tínhamos mais 18 ou 19 anos, rs… Cada um foi tratar de fazer seus cursos no exterior ou em outras cidades do Brasil para se aperfeiçoar como músico. Eu dei sequência à minha carreira acadêmica, o Gustavo foi estudar produção de estúdio no Canadá, enfim… É claro que se a situação de uma banda de Metal no Brasil fosse um pouco menos complicada do ponto de vista financeiro, não teríamos precisado parar, mas esse não é bem o caso, rs… Agora, digamos que voltamos devido a uma saudade incrível de fazermos juntos o que mais gostamos – e, claro, novamente acreditando que podemos tornar a banda viável, o que prova que somos teimosos, rs…

Gustavo:
Na medida em que o tempo vai passando a gente vai sentindo a necessidade de botar em prática novas influências musicais. Sentimos uma vontade muito forte de criar, compor, exteriorizar melodias, eu acho que esse é o motivo principal de estarmos voltando. Apesar de todos nós termos nossos compromissos diários com outros trabalhos, a música sempre esteve presente em nossas vidas, e agora, particularmente, eu me considero na minha melhor fase musical. Por que não lançar um álbum onde possamos mostrar isso ao público?

 2)     Qual a orientação musical do novo trabalho? Podemos esperar novidades em relação ao disco anterior?

Sergio:
Muitas. O Dyluvian está muito mais Prog metal do que Power metal melódico, o que não quer dizer que não gostemos mais da antiga linha. A música que leva o nome da banda, inclusive, soa bastante Power metal, embora também traga novidades. Mas em geral, demos uma guinada consciente para o Prog. É o tipo de música com o qual mais nos identificamos atualmente. Só que, também de maneira consciente, resolvemos aparar as arestas, ou seja, não são músicas de Prog metal quilométricas e cheias de partes diferentes… Ao invés disso, resolvemos deixá-las soando da maneira mais direta possível. Isso resultou numa material muito coeso. Menos é mais, foi o que mais buscamos nesse disco, e acho q essa é a maior prova de maturidade.

Gustavo:
Este disco está mais ‘’enxuto’’ em relação ao disco anterior, apesar da nova direção que estamos seguindo. As linhas harmônicas estão mais maduras e menos convencionais comparadas ao Power metal melódico, e a duração das faixas estão mais curtas. Na minha opinião, estamos numa era onde as informações estão acontecendo muito rapidamente, grande parte das pessoas não para mais para escutar músicas com 20 minutos de duração. A nossa intenção aqui é passar mais informação em menos tempo, acho que não existe mais aquela necessidade de ‘’olhe, veja como eu toco bem’’. A maturidade musical é justamente isso, passar o recado, overdose de melodias bonitas e riffs contagiantes sem cansar o ouvinte. Com certeza este nosso novo trabalho está bem diferente do que se ouve hoje em dia com relação ao prog metal.

3)     Como foi o processo de produção e de composição das músicas para A great time from here?  

Sergio:
O processo não foi muito linear. Nós não compusemos o álbum inteiro para depois entrarmos em estúdio, fazermos uma pré-produção e só depois gravarmos de fato, enfim… A situação da banda quando resolvemos fazer o disco já era que cada membro vivia num lugar diferente do mundo, rs… Eu em São Paulo, Gustavo em Montreal, Dário em Houston (agora ele está na Flórida). Então o processo de composição foi um misto de trabalho à distância e alguns poucos encontros ao vivo, quando todos combinavam de ir até Recife na mesma época. Eu gravava a versão demo de uma música nova no meu Home Studio e mandava para eles, daí eles sugeriam mudanças, eu mudava e enviava de novo, até chegarmos a um consenso… Frequentemente nos falávamos por skype. Então dá pra imaginar que o processo de composição tenha levado um certo tempo, muito embora algumas música tenham nascido tão legais que a primeira versão já agradou a todos. Foi o caso de “Time never comes”, uma das mais pesadas do disco, que Gustavo compôs, nos enviou e todo mundo gostou de cara. Finalmente, em nosso último encontro em Recife, em junho desse ano, já com o material todo pronto, gravamos as baterias das músicas e os baixos. Ainda falta algo das guitarras, vocais e teclado (instrumento para o qual contamos com a colaboração de João Nogueira). Essas últimas gravações estão sendo feitas enquanto a mixagem do material já vai longe. Então o processo foi bem pouco linear mesmo, mas o importante é que está dando certo e o resultado final promete.

Gustavo:
Acredito que hoje em dia, pelas circunstâncias nas quais o Dyluvian se encontra, tivemos que mudar bastante a lógica de produção. Além de fazer parte no processo criativo de composição das músicas, também estou responsável pela parte técnica (gravação, mixagem, masterização, edição, etc..). Ou seja, muita coisa de pós–produção, timbragem, mixagem, já foi testado antes mesmo de as músicas estarem prontas. Confesso que está sendo um desafio bastante interessante, por estar precisando diferenciar o ouvido criativo e o ouvido técnico, são ‘’approaches’’ bastante diferentes.

 4)     No primeiro disco, o Dyluvian trazia influências de vários estilos, com músicas que seguiam linhas bem distintas, embora mantendo uma coerência. Como está o disco novo neste sentido?

Sergio:
Pelo processo que descrevi, dá pra imaginar que a coisa levou algum tempo. Então nesse disco, como no primeiro, existem músicas feitas há dois anos, há um ano ou há cinco meses. Com o passar do tempo fomos mudando o arranjo de certas músicas mais antigas para que elas se aproximassem das mais recentes. Estamos conseguindo produzir um disco homogêneo, mas não no sentido de todas as músicas seguirem exatamente a mesma linha – o que também não ocorreu no primeiro disco. O que temos nas mãos é um disco dividido em “blocos”, ou seja, músicas que seguem linhas parecidas foram colocadas em sequência, de modo que a ordem final das músicas segue uma narrativa lógica, começando bastante prog, ficando ligeiramente mais Power metal lá pela metade e depois voltando gradualmente ao prog até o final do disco. No meio disso, claro, temos a tradicional balada, rs… Você vai perceber essa linha no disco quando o escutar (espero, rs).

Gustavo:
Eu considero este disco um meio termo entre o Hard Rock e o metal progressivo. Temos musicas mais ‘’grooviadas’’ do que rápidas. Os riffs estão mais puxados para o hard rock progressivo e as faixas possuem uma vibe mais ‘’cósmica-espacial’’. Procuramos dar mais ênfase às harmonias como um todo e não simplesmente jogar partes instrumentais intermináveis entre os versos. Notavelmente existem diferenças entre as músicas, algumas com elementos mais puxados, mas não completamente, para o Power metal, e outras mais na linha “Power groove progressivo’’. Gosto muito da balada do disco, é uma fusão de Marillion com Dream theater.

5)     Quem foi o responsável pelas letras e do que falam? Há uma temática comum no disco?

Sergio:
Nesse disco eu e o Gustavo dividimos as letras. Ele compôs três delas, eu escrevi o resto. Ele estava com muita coisa para dizer nesse disco e foi muito bom dividir essa parte do trabalho. Passados todos esses anos do disco de estreia, foi natural que as letras refletissem nosso amadurecimento, o que aprendemos na vida ao longo do tempo, que basicamente significa dar valor a coisas simples e viver o presente. Há algumas letras sobre o amor, mas não tanto da maneira romântica de sempre, e sim mais como uma coisa necessária ao mundo. Sobre amizade, existe a música “Dyluvian”, cuja letra escrevi quando estava no avião indo até Recife gravar o disco com Dário e Gustavo. Acabou sendo uma letra que serve para descrever qualquer encontro de amigos que se unem para fazer o que mais gostam – no nosso caso, música. “Letter to Gulliver” é uma homenagem ao famoso personagem e tem bastante influência do Genesis de Peter Gabriel. Enfim, não há uma temática única, não é um disco conceitual. Mas o principal tema das canções, certamente, tem a ver com viver o presente. Esse é o “tom” principal do disco, daí o título A great time from here.

Gustavo:
Considero as letras desse disco bastante voltadas para a natureza do ser humano, a sua relação com o universo e o fato de estarmos desconectados com a nossa essência, com o nosso verdadeiro ser. As letras promovem uma mudança de paradigma, a utilização dos nossos poderes mentais para evoluirmos como seres, afim de que haja uma maior colaboração entre as pessoas. “Time never comes” critica bastante as religiões, como fruto de barreiras entre nós e nós mesmos, impedindo o auto-conhecimento. “Ego trip” fala que todos os males do mundo são frutos da infelicidade e da falta de amor próprio. Sempre gostei de temas ligados a metafísica, filosofia e psicologia e no geral, as letras que escrevi foram muito influenciadas por essas áreas.

6)     A great time… também será lançado ou distribuído por alguma gravadora?

Sergio:
Não sabemos ainda, de início planejamos comercializá-lo diretamente com os fãs pelo nosso site. Mas estamos conversando sobre um possível contrato de distribuição internacional sobre o qual ainda não posso dar muitos detalhes.

Gustavo:
Pretendemos divulgar o máximo possível pela internet no começo, e com certeza     iremos tentar contrato de distribuição em vários países, aqueles que se interessarem.

 7)     Qual é a formação atual da banda e quem gravou o disco?

Sergio:
As condições de trabalho que tivemos para esse disco, especialmente devido à questão da distância, não nos permitiu trabalhar com um baterista fixo, de modo que trabalhamos duro com as baterias programadas, de modo a deixá-las soando o mais real e natural possível. Sei que algumas pessoas têm certo preconceito sobre trabalhar com tecnologia dessa forma, mas é preferível dizer a verdade sobre isso do que inventar alguma mentira pros fãs da banda. Já nos teclados, tivemos a participação de João Nogueira, com exceção de algumas músicas gravadas pelo próprio Gustavo. Fora isso, temos os membros fixos: eu nos vocais, Gustavo Aragão nas guitarras e Dário Moran no baixo. Embora o Dário seja o baixista fixo, tivemos participações especiais no baixo em algumas músicas com Jorge Henrique e Arnoldo Guimarães. Ambos já foram baixistas do Dyluvian. Teremos de definir uma line up para a divulgação do disco, mas ainda não chegamos a fazer isso. Daremos notícias mais adiante.

Gustavo:
Sim, assim que o disco for lançado, iremos reunir uma line-up para possíveis turnês.

8)     O que andam ouvindo atualmente e como essas novas referências influenciaram o som da banda?

Sergio:
Atualmente, eu tenho me ligado mais em algumas coisas novas que seguem o velho estilo setentista, como o Wolfmother e o Black Country Communion. Na verdade eu sempre troco minha trilha sonora. Essa semana estava ouvindo bastante Lizt, gravações do pianista Nelson Freire. Gosto do jazz mais calmo, gosto muito do Miles. Estou sempre ouvindo música brasileira, que é minha segunda paixão depois do rock’n’roll – pretendo pesquisar em breve o Moacir Santos, maravilhoso compositor pernambucano. Dentro do rock’n’roll, os últimos lançamentos dos meus velhos ídolos todos me empolgaram: o último do Eric Clapton, o Scream do Ozzy, enfim… No último show do Rush que assisti no Morumbi, eles tocaram umas duas músicas do próximo álbum que me deixaram ansioso para ouvir. Outra grande paixão minha é o Marillion, o Steve Rogart é uma das minhas grandes influências. Acho que é isso: gosto de variar sempre… Tudo isso influencia o som do Dyluvian. Há coisas de música brasileira aqui e ali (de maneira explícita na música “Dyluvian”), há harmonias jazzísticas (principalmente em “Letter to Gulliver”), influências “eruditas” diversas, enfim… Tudo acaba sendo aproveitado. O importante é mantermos a nossa cara.

Gustavo:
As minhas principais influências são: Enchant, Marillion, Van Halen e outras bandas de rock progressivo e hard rock melódico, não tenho escutado nada de novo de metal. Eu procuro adaptar essas influências ao meu próprio estilo de compor. Uma coisa que mudou bastante foi que, hoje em dia, ao compor uma música, eu não penso mais em uma linha a seguir. Por exemplo: ‘’esta aqui vai ser na linha Dream Theater, ou alguma outra banda. Eventualmente haverá algumas semelhanças. O que tem ocorrido comigo é algo muito curioso, as músicas simplesmente tocam na minha cabeça e eu simplesmente começo o processo de produção bem naturalmente, isto é algo bem notório neste CD. Vocês verão que as músicas são bem naturais e não forçadas.

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